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Capa Negócios Negócios no Campo

Nordeste é única região com crescimento do rebanho bovino e alcança recorde de 37,3 milhões de cabeças

Publisher por Publisher
05/10/2026
em Negócios no Campo
Tempo de Leitura: 4 minutos
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Rebanho Nelore

Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias)

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O Nordeste foi a única região brasileira a ampliar seu rebanho bovino em 2025, avançando 2,2% e alcançando pela primeira vez 37,3 milhões de cabeças. O desempenho contrasta com o cenário nacional, em que o número de bovinos recuou 1,7%, para 234,3 milhões de animais, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE. IBGE

O resultado nordestino ganha ainda mais relevância quando observado em uma perspectiva de longo prazo. Em 2016, a região possuía aproximadamente 28,4 milhões de bovinos. Em nove anos, portanto, o efetivo aumentou 31,2%, acrescentando quase 9 milhões de animais ao rebanho regional.

Com a expansão, o Nordeste passou a praticamente se igualar ao Sudeste em número de bovinos, modificando gradualmente a distribuição territorial da pecuária brasileira.

A PPM é a principal pesquisa anual do IBGE sobre os efetivos dos rebanhos e a produção pecuária brasileira, com informações detalhadas até o nível municipal. IBGE

Nordeste cresce enquanto rebanho brasileiro recua

O desempenho regional ocorre em sentido contrário ao movimento observado no conjunto do país.

Em 2025, o Brasil contabilizou 234,3 milhões de bovinos, queda de 1,7% em relação ao ano anterior. Foi o segundo recuo anual consecutivo e levou o rebanho nacional ao menor nível dos últimos três anos. IBGE

Nesse contexto, a expansão de 2,2% registrada pelo Nordeste torna-se um dos principais destaques regionais da pecuária brasileira.

A comparação com 2016 mostra uma transformação ainda mais significativa.

Ao passar de 28,4 milhões para 37,3 milhões de animais, o rebanho nordestino aumentou aproximadamente 8,9 milhões de cabeças no período.

Isso representa um crescimento médio de quase 1 milhão de bovinos por ano, considerando apenas uma divisão simples da expansão acumulada pelos nove anos — não uma taxa anual constante.

Nordeste se aproxima do Sudeste

O avanço também altera a posição relativa do Nordeste dentro da pecuária nacional.

Com 37,3 milhões de bovinos, a região passa a apresentar um efetivo praticamente equivalente ao do Sudeste.

A aproximação é significativa porque mostra que a pecuária bovina nordestina vem aumentando sua participação em uma atividade historicamente marcada pela forte presença do Centro-Oeste e de outras grandes regiões produtoras.

Considerando o total brasileiro de 234,3 milhões de animais, o Nordeste responde atualmente por cerca de 16% do rebanho nacional, cálculo realizado a partir dos números divulgados pelo IBGE.

Produção de leite chega a 6,6 bilhões de litros

A expansão não aparece apenas no número de bovinos.

O Nordeste produziu aproximadamente 6,6 bilhões de litros de leite em 2025, alcançando participação de cerca de 18% da produção brasileira.

O dado amplia a importância econômica da pecuária regional, uma vez que a cadeia leiteira possui características diferentes da criação voltada à produção de carne.

Além das propriedades rurais, a atividade movimenta uma rede formada por laticínios, cooperativas, fornecedores de alimentação e genética animal, transportadores, distribuidores, comércio e indústria de alimentos.

Crescimento amplia peso econômico da pecuária regional

A expansão de 31,2% do rebanho em nove anos também aponta para uma mudança estrutural que merece atenção.

Mais animais significam maior demanda por alimentação, sanidade, genética, equipamentos, crédito, assistência técnica, transporte e infraestrutura de processamento.

Ao mesmo tempo, crescimento do rebanho não significa automaticamente aumento equivalente de produtividade ou rentabilidade.

Indicadores como produção de carne por animal, produtividade leiteira, qualidade genética, custos de alimentação e eficiência das propriedades são necessários para avaliar quanto a expansão quantitativa está sendo convertida em geração de valor.

Há ainda uma questão especialmente relevante para o Nordeste: a adaptação da produção às condições climáticas e à disponibilidade de água.

Por isso, tecnologias de alimentação, manejo, genética adaptada, irrigação quando viável e gestão dos recursos hídricos tendem a ganhar importância à medida que aumenta a escala da atividade.

Nove anos mudaram o tamanho da pecuária nordestina

Os números ajudam a dimensionar a transformação:

2016: 28,4 milhões de bovinos

2025: 37,3 milhões

Crescimento acumulado: 31,2%

Aumento absoluto: aproximadamente 8,9 milhões de animais

Produção de leite em 2025: 6,6 bilhões de litros

Participação no leite brasileiro: aproximadamente 18%

Mais do que um crescimento isolado em 2025, portanto, o levantamento do IBGE revela uma trajetória de expansão que já dura quase uma década.

O fato de o Nordeste ter sido a única região a aumentar o número de bovinos justamente em um ano de retração nacional reforça essa tendência e coloca a pecuária regional em uma posição cada vez mais relevante no mapa do agronegócio brasileiro. IBGE

Leia mais:

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