O Brasil enfrenta uma das maiores crises de saúde mental relacionadas ao trabalho de sua história recente, com impactos diretos na produtividade, na economia e no sistema previdenciário.
Em 2025, mais de meio milhão de trabalhadores foram afastados por transtornos mentais e comportamentais, como ansiedade, depressão, estresse crônico e burnout, segundo dados da Previdência Social.
O avanço desses afastamentos evidencia que o tema deixou de ser apenas uma pauta de bem-estar e passou a representar um risco concreto de gestão para empresas de todos os setores.
Impactos diretos nas organizações
Além dos custos previdenciários, o problema gera efeitos dentro das empresas, como:
📉 aumento do absenteísmo
⚠ presenteísmo (queda de produtividade mesmo com o colaborador presente)
🔄 alta rotatividade
❌ erros operacionais e conflitos internos
Estudos internacionais apontam que ansiedade e depressão estão entre as principais causas de perda de produtividade no mundo, com prejuízos bilionários.
Pressão financeira e saúde emocional
Um dos fatores que agravam esse cenário é a chamada saúde emocional financeira.
Dívidas, inflação persistente, crédito caro e insegurança econômica têm impacto direto no comportamento e no desempenho dos profissionais, afetando sono, concentração e tomada de decisão.
Esse fenômeno atinge não apenas trabalhadores de baixa renda, mas também profissionais com salários mais elevados, ampliando o alcance da crise.
Nova exigência legal muda o cenário
A mudança mais relevante ocorre no campo regulatório. A Norma Regulamentadora nº 1 passou a incluir de forma explícita os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
A partir de maio de 2026, empresas de todos os portes serão fiscalizadas quanto à identificação, avaliação e gestão de fatores como:
✔ sobrecarga emocional
✔ metas abusivas
✔ assédio
✔ insegurança e estresse crônico
Saúde mental como estratégia
Para especialistas como Alexandre Muniz e Fabiana Mantovam, o tema passa a ocupar uma nova posição dentro das organizações.
Saúde mental deixa de ser um tema restrito ao RH e passa a integrar a agenda estratégica, jurídica e econômica das empresas.
Ignorar essa realidade pode significar aumento de custos, riscos legais e perda de competitividade em um ambiente cada vez mais exigente.
Introduzir na cultura das empresas o debate sobre saúde mental e financeira, prevenção e cuidados para sua preservação, hoje para além de uma necessidade, passou a ser um imperativo, sobretudo com a legitimidade em atender a nova NR 1. Sistemas de Compliance devem estar atentos e adaptados a essa nova realidade. No âmbito do sistema organizacional são envolvidos e impactados desde as altas lideranças, CEO’S, diretores, executivos, membros de conselho, gestores, coordenadores, supervisores, profissionais que integram o jurídico, RH, segurança do trabalho e profissionais responsáveis pela gestão de equipes, e pela condução de atividades operacionais, administrativas e organizacionais. O objetivo é mitigar riscos e impactar colaboradores em geral. As adaptações a nova NR 1, traz benefícios imensuráveis não somente à saúde mental dos funcionários e colaboradores, mas também a saúde financeira da empresa e sua carga tributária. Convidamos a todos os nossos leitores a acompanhar por aqui essa Trilha Preventiva com profissionais qualificados.
👤 Sobre os especialistas
Alexandre Muniz é economista e psicanalista, com mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro. Atuou em multinacionais como Cargill, HP e Avon, tendo sido diretor de Investimentos da Cargill por nove anos. Há oito anos dedica-se à saúde mental no ambiente corporativo. Em 2025, fundou duas startups voltadas à saúde emocional financeira e à gestão de riscos psicossociais no trabalho, atuando na interseção entre finanças, liderança e comportamento humano.
Fabiana Mantovam é psicanalista e neurocientista comportamental, com trajetória em administração hospitalar. Atuou por oito anos no Hospital Israelita Albert Einstein e foi administradora do Hospital Geral do Grajaú por seis anos. Há mais de uma década trabalha com saúde mental, apoiando pessoas e organizações na compreensão do impacto das emoções nas decisões e na performance. É cofundadora de startups voltadas à saúde emocional financeira e riscos psicossociais no ambiente corporativo.
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