Reeleito governador da Bahia no primeiro turno neste domingo (4), Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou que pretende retomar imediatamente as agendas pelo estado e se dedicar também à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.
Jerônimo garantiu mais quatro anos à frente do governo baiano com 55,80% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A eleição estadual foi, portanto, encerrada já no primeiro turno, permitindo ao governador concentrar parte de sua articulação política nas próximas três semanas na disputa presidencial. Tribunal Superior Eleitoral
Em pronunciamento no Palácio de Ondina após a confirmação da vitória, Jerônimo afirmou que pretende conversar com Lula para definir como poderá contribuir com a coordenação nacional da campanha e indicou que a mobilização eleitoral na Bahia será retomada já nesta segunda-feira (5) ou na terça-feira (6).
Governador quer mobilizar base política para segundo turno
A estratégia anunciada por Jerônimo inclui a convocação de prefeitos, parlamentares, partidos e movimentos sociais que integram sua base para reforçar a campanha presidencial no estado.
A capilaridade municipal foi um dos pilares da campanha do próprio governador. Na reta final da eleição, a base de Jerônimo reunia mais de 300 prefeitos aliados, estrutura política que agora poderá ser direcionada, em parte, para a disputa presidencial. A TARDE
A movimentação ocorre em um cenário nacional mais competitivo do que o esperado antes da abertura das urnas. Lula disputará o segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em seu pronunciamento, Jerônimo reconheceu as dificuldades da disputa nacional e atribuiu à votação obtida por Lula na Bahia papel importante para que o presidente permanecesse competitivo na eleição.
A intenção do governador agora é ampliar a votação do candidato petista no estado no segundo turno.
Bahia volta a ocupar posição estratégica para o PT
A mobilização anunciada por Jerônimo reforça o peso que a Bahia deverá assumir na estratégia eleitoral do PT até 25 de outubro, data do segundo turno presidencial.
Há também uma diferença importante entre os dois níveis da eleição.
Enquanto a disputa pelo governo baiano terminou no primeiro turno, a eleição presidencial permanece aberta. Isso libera Jerônimo e sua estrutura política para direcionar esforços à campanha nacional sem a necessidade de dividir a mobilização com sua própria candidatura.
A relação entre as duas campanhas já havia sido explorada durante o primeiro turno. A campanha de Jerônimo buscou associar sua candidatura à de Lula, enquanto a articulação com prefeitos do interior se tornou um dos principais instrumentos de mobilização eleitoral do governador. A TARDE
Agora, a lógica poderá funcionar no sentido inverso: a estrutura política que contribuiu para a reeleição de Jerônimo poderá ser mobilizada para tentar ampliar a votação de Lula na Bahia.
Jerônimo fala em país dividido
Durante o pronunciamento, o governador também afirmou avaliar que o Brasil chega ao segundo turno politicamente dividido.
Jerônimo mencionou ainda uma possível interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. A declaração deve ser tratada como uma avaliação política do governador; não há, nas fontes consultadas para esta reportagem, elementos que permitam apresentá-la como fato comprovado.
A disputa nacional entra agora em uma nova etapa, com Lula e Flávio Bolsonaro buscando ampliar alianças e conquistar eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno.
Novo mandato também entra no planejamento
Paralelamente à campanha presidencial, Jerônimo afirmou que começará a preparar seu segundo mandato.
Segundo o governador, propostas e demandas apresentadas pela população durante a campanha deverão ser analisadas e incorporadas, quando consideradas viáveis, ao programa de governo.
O processo deverá ocorrer durante a preparação para o novo mandato, que começa em janeiro de 2027.
Jerônimo chega à nova gestão em uma situação política diferente daquela de 2022. Na primeira eleição, ele disputava pela primeira vez um cargo eletivo e precisou enfrentar ACM Neto no segundo turno. Quatro anos depois, conseguiu definir a eleição já na primeira votação. A TARDE
Vitória reforça estrutura municipal do governo
Em seu discurso, Jerônimo agradeceu aos partidos aliados e destacou especialmente o papel dos prefeitos do interior.
A construção dessa base municipal foi um dos movimentos políticos mais relevantes de seu primeiro mandato. Ao longo de 2026, prefeitos anteriormente ligados a grupos de oposição passaram a declarar apoio à reeleição do governador. A TARDE
Em agosto, Jerônimo chegou a reunir mais de 300 prefeitos em Salvador para discutir a estratégia eleitoral e a atuação nos municípios. A TARDE
A vitória no primeiro turno indica que essa articulação teve peso na manutenção do grupo político no Palácio de Ondina. O PT governa a Bahia desde 2007, inicialmente com Jaques Wagner, depois com Rui Costa e, desde 2023, com Jerônimo Rodrigues.
Da eleição estadual para a disputa nacional
A partir desta segunda-feira, portanto, dois movimentos deverão ocorrer simultaneamente.
De um lado, Jerônimo inicia o planejamento político e administrativo para o segundo mandato. De outro, coloca sua estrutura de alianças à disposição da campanha presidencial.
A estratégia tem um objetivo claro: transformar a vitória antecipada na Bahia em capacidade adicional de mobilização para Lula no segundo turno.
O resultado dessa articulação dependerá não apenas da capacidade do governador de mobilizar sua base municipal, mas também da evolução da campanha presidencial nas próximas três semanas.
Com a eleição estadual resolvida e a presidencial ainda aberta, a Bahia tende a permanecer no centro da estratégia eleitoral do PT até a votação de 25 de outubro.
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