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Capa Economia Economia Baiana

Com a crise, mais baianos passaram a trabalhar em casa

REDAÇÃO por REDAÇÃO
18/10/2017
em Economia Baiana
Tempo de Leitura: 5 minutos
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O trabalho nas ruas ou áreas públicas também aumentou de forma expressiva na capital e na região metropolitana (Foto: Max Haack / Agecom)

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Com a crise que atingiu o mercado de trabalho numa maior intensidade em 2016, mais pessoas passaram a trabalhar em casa e nas ruas e áreas públicas, tanto na cidade de Salvador quanto na Região Metropolitana da capital. Ambos os aumentos foram bem acima da média do estado e figuraram entre os maiores do país. Em Salvador, entre 2015 e 2016, 26,5 mil pessoas passaram a trabalhar na residência em que viviam. Foi o maior crescimento em números absolutos entre as capitais brasileiras e representou, em um ano, um aumento de 55,5% no contingente dos que trabalhavam em casa.

Em 2016, 6,3% dos cerca de 1,18 milhão de soteropolitanos ocupados na iniciativa privada (exceto trabalhadores domésticos), ou 74,3 mil pessoas, trabalhavam em casa. Era o terceiro maior percentual entre as capitais, abaixo apenas de Natal (9,5%) e Belém (7,8%), bem acima da média do país (2,8%) e maior também que a média da Bahia, onde os que trabalham em casa representam 4,1% dos ocupados na iniciativa privada. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados hoje pelo IBGE.

Em 2015, cerca de 48 mil pessoas trabalhavam em casa em Salvador, o que representava 3,9% dos cerca de 1,24 milhão ocupados.

Na Região Metropolitana de Salvador (RMS), o movimento foi parecido. De 2015 para 2016, trabalhar em casa passou a ser realidade para cerca de 20 mil pessoas, um aumento de 29,1% de um ano para o outro (de cerca de 54 mil para 75 mil pessoas). Foi o segundo aumento mais expressivo em termos absolutos entre as regiões metropolitanas – só menor que o da RM São Paulo (+22,5 mil pessoas). Em 2016, 5,8% dos 1,5 milhão de ocupados na iniciativa privada na RMS trabalhavam em casa.

Áreas públicas

O trabalho nas ruas ou áreas públicas também aumentou de forma expressiva na capital e na região metropolitana, levando, inclusive a um leve crescimento desse tipo de ocupação no estado como um todo.

Entre 2015 e 2016, o número de soteropolitanos que trabalhavam em vias ou áreas públicas praticamente dobrou, passando de cerca de 32 mil para 61 mil pessoas, que representavam, no ano passado, 5,1% dos trabalhadores da iniciativa privada na capital baiana (contra 2,6% em 2015). Foi o maior aumento nesse grupo de trabalhadores entre as capitais brasileiras tanto em números absolutos (+28,4 mil pessoas) quanto relativos (+88,6%).

Em 2015, cerca de 48 mil pessoas trabalhavam em casa em Salvador

Nesse mesmo período, na Região Metropolitana, o número de pessoas que trabalhavam nas ruas ou locais públicos aumentou 39,3% (+21 mil pessoas), chegando a cerca de 75 mil, 4,9% do total de 1,5 milhão de trabalhadores da iniciativa privada na RMS. Foram os segundos maiores aumentos em termos absolutos e relativos, abaixo apenas das Regiões Metropolitanas de São Paulo, no primeiro caso (+28,7 mil pessoas), e Manaus no segundo (+40,6%).

Os aumentos nos números de pessoas trabalhando em ruas ou locais públicos na capital baiana contribuíram para uma leve expansão, de 3,3% (+cerca de 7 mil pessoas), desse contingente no estado como um todo, chegando a 217 mil pessoas (4,3%) do total de cerca de 5 milhões de trabalhadores na iniciativa privada na Bahia.

Ainda assim, no estado, o aumento relativo ficou bem abaixo da média nacional. No país como um todo, entre 2015 e 2016, o contingente de ocupados no setor privado que trabalhavam em casa passou de 1,8 milhão (2,7% do total) para cerca de 2,0 milhões (2,8%), um aumento de 12,4%, ou cerca de 227 mil pessoas.

O aumento da ocupação em casa e nas ruas e áreas públicas é um dos reflexos das alterações que a crise provocou no mercado de trabalho brasileiro e baiano em 2016. Elas se evidenciam também no aumento dos trabalhadores por conta própria (que trabalham sozinhos) e dos empregadores (que têm pelo menos um empregado); e no maior número de pessoas trabalhando em empreendimentos de menor porte (com até 5 ocupados).

Na Bahia, 1 em cada 3 pessoas trabalha como conta própria ou empregador

Entre 2012 e 2016, a participação dos trabalhadores por conta própria e empregadores no total de pessoas trabalhando na Bahia teve um pequeno aumento, de 32,2% para 34,8%, mantendo-se em torno de 1/3 dos ocupados, ao longo da série. Nesse período, o contingente de trabalhadores nessas posições na ocupação no estado aumentou 5,4% (+110 mil pessoas), chegando a 2,1 milhões de pessoas no ano passado.

Esse crescimento se deu, em parte, como resposta à redução da proporção de empregados na iniciativa privada (com ou sem carteira assinada) no total de pessoas trabalhando no estado, de 23,3% em 2012 para 21,4% dos ocupados em 2016. No ano passado, a Bahia tinha o quarto maior percentual de contas próprias e empregadores em relação ao total de ocupados (34,8%), ficando atrás apenas de Maranhão (41,1%), Pará (37,5%) e Amazonas (36,5%) e empatando com o Piauí (34,8%).

A movimentação foi bem parecida na capital (29,6%), onde a participação dos trabalhadores por conta própria e empregadores girava em torno de 1/3 dos ocupados, em 2016, tendo crescido em relação a 2012 (7,9%, chegando a contingentes de 417 mil pessoas). E, apesar da crise, cresceu a formalização dos trabalhadores por conta própria e empregadores entre 2012 e 2013. No país como um todo, em 2012, 23,9% deles estavam em empreendimentos registrados no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Esse percentual aumentou ano a ano, alcançando 28,9% em 2016.

Na Bahia, também houve aumento da formalização entre os trabalhadores por conta própria e os empregadores entre 2012 (quando 12,3% trabalhavam em empreendimentos com CNPJ) e 2016 (15,4%).  O crescimento foi de 32,1% ou mais 81,5 mil pessoas atuando em empreendimentos formalizados. Entretanto, o percentual de formalização (15,4%) ainda se encontrava em patamar bem inferior à média nacional e abaixo dos verificados em outros estados nordestinos, como Paraíba (19,9%), Ceará (19,1%) e Pernambuco (17,6%). Em São Paulo, estado onde a formalização era maior, 44,5% dos contas próprias e empregadores tinham CNPJ.

Em Salvador, o índice de formalização é bem mais alto que a média do estado, ficando próximo ao nacional. Passou de 21,4% em 2012 para 25,2% em 2016, o que representou, nesse intervalo, um aumento de 27,4% ou mais 22,6 mil pessoas como contas próprias ou empregadores em empreendimentos com CNPJ. Foi o quinto maior aumento em termos absolutos entre as capitais, mas ficou abaixo, por exemplo, do verificado em Recife (+28,2 mil pessoas).

Entre 2012 e 2016, formalização de empregadores cai em Salvador

Diferentemente do que ocorreu no país como um todo e na Bahia, em Salvador o percentual de empregadores em empreendimentos com CNPJ diminuiu entre 2012 e 2016. Eles passaram de 82,5% do total em 2012 para 68,9% em 2016. Isso porque, embora o total de empregadores em empreendimentos formalizados tenha tido uma leve variação positiva, passando de 45,2 mil para 45,6 mil (mais cerca de 400 pessoas), o universo de empregadores aumentou muito mais, 20,7% ou mais 11,4 mil pessoas nesse período.

Na capital , a formalização dos empregadores atingiu seu pico em 2015 (84,2% no primeiro caso e 82,4% no segundo) e caiu no ano seguinte.

Tags: IBGEPNADRegião Metropolitana de Salvador
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