Com a conclusão de uma safra de aproximadamente 15 milhões de toneladas de grãos e fibras e a preparação para um novo ciclo produtivo, o Oeste da Bahia entrou em um período de maior circulação de cargas, máquinas, insumos e trabalhadores. Para reforçar a segurança nesse movimento, foi lançada em Luís Eduardo Magalhães a 13ª Operação Safra 2026/2027. Aiba
A iniciativa reúne a Polícia Militar da Bahia (PM-BA), Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abapa) e representantes do setor produtivo.
Nesta edição, a operação terá oito meses de duração, dois a mais que no ciclo anterior, permanecendo ativa até 30 de maio de 2027. O policiamento contará com unidades especializadas da PM e será reforçado pelo uso de novas tecnologias para monitoramento de propriedades, estradas e áreas rurais. Aiba
Segurança passa a integrar a infraestrutura do agronegócio
A Operação Safra é realizada na região desde 2014. Para a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, a continuidade da iniciativa demonstra a importância da integração entre produtores e poder público.
“Chegamos até aqui porque entendemos que esperar não era uma opção. Buscamos tecnologia, inovação e, principalmente, parcerias. A Operação Safra é uma demonstração de que essa união funciona”, afirmou.
A dimensão econômica da agricultura do Oeste ajuda a explicar a necessidade de uma estrutura específica de segurança.
Na safra atual, a Bahia deve produzir aproximadamente 1 milhão de toneladas de algodão em uma área superior a 400 mil hectares, segundo os dados apresentados pela Abapa, sendo quase metade cultivada com irrigação.
Além da produção que deixa as propriedades, existe um fluxo no sentido contrário: fertilizantes, defensivos, sementes, combustíveis, peças, máquinas e outros insumos precisam chegar às fazendas.
Muitos desses produtos possuem elevado valor comercial, aumentando a necessidade de proteção da logística rural.
“É garantir que tudo aquilo que é necessário para produzir chegue à propriedade e possa circular. Não há como produzir no Brasil sem estes insumos, e o seu alto valor monetário os torna atraentes para criminosos”, explicou Zanotto.
Internet em áreas remotas e bastões-vigia estão entre as novidades
A tecnologia terá participação maior na 13ª edição da operação.
Entre os equipamentos estão antenas de internet instaladas nas viaturas disponibilizadas pela Aiba, permitindo comunicação em regiões remotas, além de smartphones utilizados pelas equipes.
Também começam a ser empregados os chamados “bastões-vigia”. O sistema utiliza tags instaladas nas propriedades para registrar data, horário e localização das visitas realizadas pelas equipes de segurança.
Inicialmente, a tecnologia deverá alcançar 50 fazendas, com capacidade de expansão para até 300 propriedades. Blog do Sigi Vilares
As câmeras instaladas nas rodovias continuam integradas à estrutura de monitoramento, enquanto o aplicativo da Operação Safra, utilizado desde 2021, permite o mapeamento georreferenciado das propriedades e auxilia no acionamento das forças de segurança.
O uso de drones também deverá ser ampliado nesta edição.
Para o comandante-geral da PM-BA, coronel Antônio Carlos Silva Magalhães, a conectividade amplia a capacidade operacional das equipes, especialmente em uma região caracterizada pelas grandes distâncias entre propriedades, comunidades e municípios.
Operação terá presença de unidades especializadas
O planejamento inclui efetivos de diferentes unidades da Polícia Militar.
Participam da operação unidades de Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e Santa Maria da Vitória, além da Rondesp Oeste. A estrutura recebe ainda apoio da CIPE Cerrado, Grupamento Aéreo (Graer) e Companhia Independente de Policiamento Rodoviário de Barreiras. Aiba
O reforço busca prevenir e combater crimes que podem atingir tanto as propriedades quanto a logística regional, incluindo roubos e furtos de cargas e caminhões, tráfico de drogas e armas e crimes contra o patrimônio. Aiba
Para o presidente da Aiba, Moisés Schmidt, a operação também fortalece a articulação entre produtores, municípios e poder público.
“São operações como essas que realmente dão sustentação, aproximam a sociedade civil, o Governo do Estado, a segurança pública e os municípios aqui envolvidos”, afirmou.
Edição anterior realizou 8.773 visitas preventivas
Os números da Operação Safra 2025/2026 mostram a dimensão territorial da iniciativa.
Durante o período foram realizadas 8.773 visitas preventivas, além de abordagens a 15.824 pessoas, 7.187 estabelecimentos e aproximadamente 6 mil veículos. Aiba
As ações também resultaram em:
- 64 autuações de trânsito;
- apreensão de cinco veículos;
- duas escoltas;
- apreensão de oito armas de fogo e três armas brancas;
- duas pessoas conduzidas à delegacia;
- cumprimento de um mandado de prisão;
- uma prisão em flagrante. Aiba
Segundo a Polícia Militar, os índices de criminalidade na região apresentaram redução de 85% ao longo dos 12 anos de atuação da Operação Safra. O percentual é atribuído pela corporação ao período de funcionamento da iniciativa e não permite, isoladamente, estabelecer quanto da redução decorreu especificamente da operação. Agrolink
Segurança rural também protege a logística regional
A relevância da operação ultrapassa os limites das propriedades.
O Oeste baiano possui uma cadeia produtiva que depende da circulação entre fazendas, armazéns, revendas de insumos, unidades de beneficiamento, cidades e corredores logísticos. Dessa forma, ocorrências envolvendo cargas, veículos ou estradas podem provocar efeitos sobre outras atividades econômicas da região.
A própria Operação Safra foi progressivamente estruturada para alcançar trabalhadores, comunidades rurais e usuários das rodovias, além dos produtores. Aiba
Para Alessandra Zanotto, essa abrangência é parte importante da iniciativa.
“Apesar do nome Operação Safra, esta não é uma operação que beneficia apenas o produtor rural. Quando protegemos as estradas, combatemos o roubo de cargas e ampliamos a presença das forças de segurança, quem ganha é toda a sociedade”, afirmou.
Em uma região que encerra um ciclo com cerca de 15 milhões de toneladas de grãos e fibras e já começa a movimentação para a safra seguinte, segurança, conectividade e logística passam a funcionar como componentes da própria infraestrutura necessária à produção agrícola.
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