O Projeto Mares deu início à etapa prática do Curso Técnico de Restauração de Corais, marcando um novo avanço nas ações de conservação dos ecossistemas marinhos da Baía de Todos-os-Santos. Após a conclusão dos módulos teóricos, os participantes passaram a produzir as primeiras estruturas que servirão de base para o cultivo de corais nativos, etapa essencial para a recuperação dos recifes na Área de Proteção Ambiental (APA) Recife das Pinaúnas, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.
Nesta fase inicial, os alunos confeccionaram as primeiras mil sementeiras, de um total de cinco mil previstas pelo projeto, além de 40 mesas submersas que funcionarão como berçários para o desenvolvimento das colônias da espécie Millepora alcicornis, conhecida popularmente como coral-de-fogo.
Passivo ambiental é transformado em ferramenta de restauração
Um dos diferenciais do projeto está no reaproveitamento de materiais provenientes do manejo ambiental.
As sementeiras e os berçários são produzidos com material resultante da remoção de aproximadamente 110 quilos de organismos bioinvasores, o equivalente a 1.163 colônias, retiradas pela equipe científica do Projeto Mares em três áreas da Ilha de Itaparica.
A iniciativa transforma um passivo ecológico em estruturas que servirão de suporte ao cultivo e à recuperação de corais nativos, unindo controle ambiental e restauração dos recifes.
Formação alia teoria e prática
Segundo o coordenador científico do Projeto Mares, Ricardo Miranda, a etapa prática representa um momento decisivo na formação dos novos restauradores.
“Depois de conhecer os fundamentos da restauração, os participantes passam a construir as estruturas que irão sustentar o cultivo das colônias e, posteriormente, a recuperação dos recifes. É quando eles compreendem todo o ciclo do trabalho e percebem que cada etapa, da fabricação das sementeiras ao monitoramento dos corais, é essencial para o sucesso da restauração.”
O curso reúne moradores da Ilha de Itaparica e de Salvador em uma capacitação voltada à conservação, ao monitoramento ambiental e à restauração dos recifes de coral.
Alunos destacam experiência prática
Entre os participantes está a bióloga Marina Nóbrega, que ressalta a importância de aplicar, na prática, os conhecimentos adquiridos durante a formação.
“A paixão pelo mar e pela conservação faz parte da minha trajetória acadêmica e pessoal. Colocar a mão na massa junto com a turma tem sido extremamente divertido. O trabalho, que poderia ser cansativo, se mostrou leve e, para mim, é como ver a teoria tomando forma.”
O mergulhador Weslley Xavier também destaca o significado da atividade.
“Cada aula tem sido uma onda de informações e possibilidades. Produzir as sementeiras e as mesas é muito gratificante porque representa o começo do trabalho prático. Tudo é feito com muita atenção e também com a expectativa de ver os corais ocupando essas estruturas.”
Formação contribui para conservação dos oceanos
Com carga horária de 96 horas, o Curso Técnico de Restauração de Corais seguirá até agosto, com atividades de campo, implantação das estruturas marinhas, monitoramento ambiental e acompanhamento do desenvolvimento das colônias.
Ao final da capacitação, os participantes estarão habilitados para atuar em projetos de restauração ativa de recifes, fortalecendo as ações de preservação da biodiversidade marinha na Baía de Todos-os-Santos.
A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente o ODS 14 – Vida na Água, voltado à conservação dos oceanos, e o ODS 4 – Educação de Qualidade, ao promover formação técnica voltada à proteção dos ecossistemas costeiros.
O Projeto Mares é realizado pela Organização Socioambientalista PRÓ-MAR, com parceria da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
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