UUma empresa que começou em 1990, na Bahia, em um escritório de apenas 20 metros quadrados, chega aos 36 anos inaugurando uma sede de 1.300 m² em Salvador e ampliando sua presença no mercado nacional de saneamento. A Mazure Saneamento S.A., especializada em tratamento de água e efluentes, reuso e dessalinização, entra agora em uma nova etapa de crescimento, apoiada em tecnologia, parcerias e expansão geográfica.
A nova sede foi inaugurada na segunda-feira (31 de agosto) e simboliza a mudança de escala de uma empresa familiar que hoje reúne um grupo de empresas e parceiros com atuação em diferentes estados brasileiros.
Além da Bahia, a Mazure mantém estruturas em Brasília, Sergipe, Alagoas e Paraíba e desenvolve projetos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão. A companhia acaba também de iniciar sua atuação no Rio de Janeiro, com um projeto para a Marinha do Brasil.
“Trinta e seis anos separam aquele escritório desta sede que acabamos de inaugurar em Salvador e das outras cinco que temos no Brasil. No meio deste caminho, trabalhamos com arrojo e seriedade; técnica e fôlego para escalar o que antes era artesanal. Juntos, transformamos um sonho de família numa operação nacional, com uma equipe aguerrida e motivada”, afirma Marcelo Sacramento de Araújo, presidente do Grupo Mazure.
De filtros de água à engenharia de saneamento
A trajetória começou quando Marcelo Sacramento, então com 26 anos, associou-se ao pai, Wilson Coelho de Araújo, executivo com duas décadas de experiência na Tigre, para criar a Maqfiltros.
A ideia inicial estava ligada a sistemas que permitiam obter água filtrada diretamente das torneiras. A realidade encontrada no mercado brasileiro, porém, fez o negócio avançar rapidamente para desafios mais complexos.
Em localidades sem abastecimento convencional, não bastava filtrar a água: era necessário tratá-la. A empresa começou a desenvolver soluções para fazendas, escolas, hospitais, condomínios e grandes consumidores e, posteriormente, avançou para tratamento de esgoto, reuso e dessalinização.
“Começamos filtrando água, depois aprendemos a tratar. Vieram as demandas de esgoto, mais tarde as de reuso de água e esgoto e, no meio do caminho, a dessalinização. Percebemos que a mesma tecnologia que atendia dezenas de pessoas poderia atender milhares. Mudava a escala, não a capacidade de fazer”, conta Marcelo.
Um dos marcos dessa história foi a primeira dessalinização privada realizada pela empresa na Bahia, na Ilha de Kieppe, a partir de um desafio apresentado pelo empresário Norberto Odebrecht.
A evolução tecnológica também alterou significativamente os custos. Segundo Marcelo, um sistema que há três décadas custava aproximadamente R$ 1,5 milhão pode hoje, em uma configuração destinada a atender até 20 pessoas, custar cerca de R$ 30 mil e ser inteiramente fabricado pela Mazure.
Outro projeto destacado pela companhia é o sistema de reuso residencial implantado em 2024 no Edifício Monvert, no Horto Florestal, em Salvador, desenvolvido em parceria com o Grupo Odebrecht e reconhecido com uma premiação internacional de sustentabilidade.
Expansão acompanha investimentos em saneamento
A nova etapa da Mazure acontece em um período de ampliação dos investimentos brasileiros em saneamento e de busca pelo cumprimento das metas de universalização do setor.
A empresa pretende aproveitar esse cenário combinando engenharia, fabricação de equipamentos, operação e desenvolvimento tecnológico.
Na Bahia, participa, em parceria com outras organizações, de um contrato para operação e monitoramento de sistemas de reuso de água em Escolas Modelo, abrangendo 128 municípios. Segundo a companhia, a operação já chegou a 62 cidades.
Na Paraíba, sua atuação alcança 13 municípios. A empresa mantém ainda projetos e operações em outros estados do Nordeste, Sul e Sudeste.
Uma nova fronteira foi aberta recentemente no Rio de Janeiro. A Mazure venceu uma licitação para fornecer um sistema de tratamento destinado à produção de água potável para o Colégio Naval, em Angra dos Reis. Além de representar a estreia da companhia no estado, será seu primeiro projeto para a Marinha do Brasil.
Pesquisa aproxima Mazure da Petrobras e do setor de defesa
A inovação tecnológica tornou-se outro eixo da estratégia de expansão.
A companhia mantém convênios com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para pesquisa e desenvolvimento, com o SENAI para formação profissional e com a Universidade Católica do Salvador para desenvolvimento de engenheiros civis.
Uma das pesquisas envolve diretamente a Petrobras. Em parceria com a UFBA, a Mazure trabalha em uma tecnologia destinada a aumentar a vida útil das membranas de nanofiltração utilizadas nos sistemas de dessalinização das plataformas de exploração de petróleo.
A área de defesa também começa a ganhar espaço.
Segundo a companhia, as tecnologias desenvolvidas poderão ter aplicações em submarinos e outros equipamentos da Marinha, assim como em sistemas de ultrafiltração e dessalinização destinados às operações do Exército em fronteiras, no Semiárido e em situações de enchentes e calamidades.
A Mazure também se prepara para participar da segunda edição da Aramus – Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation, voltada à integração de tecnologias autônomas, robótica e inteligência artificial aplicadas ao ambiente marítimo e à defesa.
Entre os objetivos tecnológicos para os próximos anos está ainda o desenvolvimento de uma membrana de dessalinização inteiramente nacional.
“Se hoje dessalinizamos água por uma fração do que custava há 30 anos, é porque nunca paramos de aprender”, afirma Marcelo.
Profissionalização acompanha nova escala
A transformação da empresa também envolveu mudanças em sua estrutura de gestão.
O engenheiro civil Renan Menicucci, que está há quase 12 anos na companhia, tornou-se sócio e atualmente ocupa a diretoria técnica e operacional. Com mestrado em saneamento e doutorado em andamento na área, Menicucci passou por diferentes funções dentro da organização antes de assumir a liderança técnica e operacional.
Para Marcelo Sacramento, a experiência prática acumulada por seu pai e a formação técnica e tecnológica de Menicucci ajudaram a empresa a transformar uma operação originalmente artesanal em um negócio capaz de atuar em escala nacional.
Atualmente, o Grupo Mazure é estruturado em torno da holding Mazure Saneamento S.A., que participa de oito empresas e quatro Sociedades em Conta de Participação (SCPs). O grupo mantém ainda acordo de cooperação comercial e operacional com a Kempetro.
A empresa também incorporou Roberto Muniz ao Conselho Consultivo, trazendo para a próxima fase de expansão sua experiência nos setores público e privado de saneamento e na construção do marco regulatório brasileiro.
“Essa sede não é só um endereço novo: é o símbolo de uma caminhada que começou entre um pai e um filho, ganhou um genro-engenheiro, ganhou sócios-irmãos Brasil afora e agora ganha um conselheiro que ajudou a escrever a própria lei do saneamento em nosso país”, afirma Marcelo.
A nova estrutura em Salvador torna-se, assim, a base de uma empresa que pretende preservar suas raízes baianas enquanto amplia sua presença no país.
“Juntos, lastreados na seriedade do trabalho que meu pai plantou, na capacidade técnica e na visão de Renan Menicucci e ao lado da competência de nossos sócios, parceiros, funcionários e colaboradores, iremos desbravar este Brasil com inovação, tecnologia, eficiência e resultados”, conclui.
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