Coleção “Cartas de Algodão” transformou lembranças familiares e cartas manuscritas em peças de moda. Presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, representou os produtores baianos na apresentação.
Cartas de amor, fotografias antigas, bordados de família e lembranças preservadas ao longo de gerações serviram de inspiração para o estilista Ronaldo Fraga na criação da coleção “Cartas de Algodão”, apresentada na quinta-feira (15), durante a 61ª edição da São Paulo Fashion Week (SPFW), no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
O desfile marcou as comemorações dos dez anos do movimento Sou de Algodão, iniciativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que busca valorizar a fibra brasileira e aproximar o setor produtivo da indústria da moda.
Representando os cotonicultores da Bahia, a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa, acompanhou a apresentação e participou do encerramento do desfile ao lado do estilista e das modelos.
Moda transforma lembranças em peças de algodão
Conhecido por desenvolver coleções que dialogam com a literatura, a história e a cultura popular brasileira, Ronaldo Fraga explorou a relação entre tecidos, memória e afetividade.
Em “Cartas de Algodão”, o estilista buscou inspiração em bilhetes guardados entre páginas de livros, fotografias amareladas, enxovais bordados e lenços preservados como recordações familiares.
A proposta ganhou forma em peças com frases manuscritas bordadas, aplicações que remetem a envelopes e selos antigos, rendas e texturas artesanais.
O resultado foi uma coleção que apresentou o algodão não apenas como matéria-prima da indústria têxtil, mas também como elemento presente nas histórias pessoais e nas relações entre diferentes gerações.
Presidente da Abapa participa do desfile
Produtora de algodão na Bahia e porta-voz do Sou de Algodão durante o evento, Alessandra Zanotto Costa acompanhou os preparativos, os ensaios e os bastidores da apresentação.
A convite de Ronaldo Fraga, ela também participou do encerramento na passarela.
“Confesso que me emocionei pessoalmente com este desfile. Ver o fruto do nosso trabalho, o algodão, na perspectiva de um talento das artes, como Ronaldo Fraga, ‘desbloqueou’ lembranças profundas de uma forma muito poética. Foi uma experiência especial”, afirmou.
Para Alessandra, a coleção demonstrou como uma fibra produzida no campo pode adquirir novos significados por meio da expressão artística.
“É moda, mas é muito mais: o algodão está presente na nossa vida, guarda histórias, lembranças, sentimentos”, destacou.
A presidente da Abapa também ressaltou a importância de preservar os vínculos com as origens e as memórias familiares em uma sociedade marcada pela velocidade das transformações.
Sou de Algodão completa dez anos
A apresentação de Ronaldo Fraga foi o quinto desfile do Sou de Algodão na São Paulo Fashion Week e integrou as comemorações de uma década do movimento.
Criado em 2016 pela Abrapa, o projeto conecta diferentes segmentos da cadeia produtiva, incluindo agricultores, fiações, tecelagens, confecções, estilistas, marcas e consumidores.
A iniciativa busca ampliar o reconhecimento do algodão brasileiro, valorizando sua utilização na moda e sua importância econômica para o setor têxtil.
A participação da Abapa no evento também destacou a conexão entre a produção agrícola baiana e a indústria criativa nacional.
“A coleção do Ronaldo Fraga mostrou que o algodão, além de matéria-prima, também pode ser depositário de histórias e afetos. Uma carta escrita com a fibra brasileira, endereçada ao mundo”, concluiu Alessandra.
Equipe e parceiros
A coleção “Cartas de Algodão” teve direção de Paulo Borges, styling de Paulo Martinez, beleza de Marcos Costa e colaboração artística de Bianca Ramoneda.
O desfile contou com a parceria das empresas Cataguases, Innovativ, Santista Têxtil, Teray Têxtil, Garotti e Syngenta.
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