Com boletos, contas de consumo e parcelas vencendo ao mesmo tempo, decidir qual dívida pagar primeiro pode se tornar um dos principais desafios para famílias com o orçamento apertado. A recomendação é evitar decisões motivadas pelo medo ou pela pressão dos credores e estabelecer prioridades que preservem, antes de tudo, as condições essenciais de vida.
A questão ganha relevância diante do avanço do endividamento no país. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgados em agosto de 2026, 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho, recorde da série histórica e sexto mês consecutivo de crescimento do indicador.
Para a professora Flávia Marimpietri, especialista em Direito do Consumidor e coordenadora do projeto de extensão de Educação Financeira e Prevenção ao Superendividamento da Faculdade Baiana de Direito, organizar corretamente as prioridades é fundamental para impedir que uma dificuldade financeira se transforme em um problema ainda maior.
“Não existe uma única regra de ouro, mas existe uma hierarquia de sobrevivência que todos precisam conhecer. Saber o que pagar primeiro não é apenas uma escolha aritmética, é um ato de preservação do bem-estar da família. Muitas vezes, o desespero faz com que o consumidor pague a conta errada primeiro e deixe de lado o essencial para a manutenção da casa”, explica.
Primeiro, proteger o essencial
A orientação é começar pelo mapeamento das obrigações financeiras e separar aquilo que é essencial para a sobrevivência da família, como moradia, alimentação e serviços básicos, das dívidas relacionadas ao crédito.
A análise também deve considerar as consequências do não pagamento e o peso dos juros. Um dos erros que a formação pretende abordar é direcionar recursos para o pagamento mínimo do cartão, por exemplo, enquanto outras obrigações capazes de provocar consequências financeiras mais graves permanecem descobertas.
O tema será discutido na quarta aula do Curso de Educação Financeira, intitulada “Quais dívidas eu pago primeiro?”. A proposta é ensinar os participantes a identificar prioridades e utilizar melhor os recursos disponíveis quando não há dinheiro suficiente para quitar todos os compromissos.
Educação financeira contra o superendividamento
A formação é resultado de uma parceria entre a Defensoria Pública da Bahia (DPE/BA) e a Faculdade Baiana de Direito e integra uma programação de encontros mensais iniciada em abril.
Além das orientações sobre organização das dívidas, a iniciativa busca oferecer um espaço de acolhimento e informação para pessoas que enfrentam dificuldades financeiras. Estudantes da Faculdade Baiana de Direito também participam das atividades de orientação.
O quarto encontro ocorreu em 11 de agosto, das 14h às 16h, na Escola Superior da Defensoria Pública da Bahia (Esdep), no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador.
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