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Capa Atualidade

Crianças refugiadas publicam livros contando suas histórias

REDAÇÃO por REDAÇÃO
02/12/2017
em Atualidade
Tempo de Leitura: 3 minutos
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Projeto lança livro de crianças refugiadas no Brasil. Entre as autoras estão as irmãs sírias Shahad Al Saiddaoud, Yasmin Al Saiddaoud, e Razan Al Saiddaoud (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

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Os sonhos, pensamentos e desenhos de 22 crianças refugiadas no Brasil agora viraram livro. Entre as autoras está a síria Shahad Al Saiddaoud, de 12 anos. “A paz começa com um sorriso no rosto. Quero meu país, a Síria, feliz, sem guerras”, deseja ela. Suas irmãs Yasmin, 7, e Razan, 5, também participam da coleção, mas com desenhos que ilustram a alegria de estar no Brasil, longe da guerra civil que devasta a Síria há seis anos. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), 5 milhões de sírios deixaram sua terra natal.

Refugiadas junto com seus pais no Brasil, Shahad, Yasmin e Razan e também outras 19 crianças, de 5 a 13 anos, puseram seus sonhos no papel e a partir de agora compartilham suas histórias e emoções na primeira coleção de livros infantis escritos por crianças refugiadas lançada no país.

“No livro falo sobre meu sonho, sobre a Síria, sobre meus parentes, eu queria todo mundo feliz na Síria, não queria guerra. Esse é meu sonho, queria todo mundo em paz”, emociona-se Shahad, que está há pouco mais de um ano no Brasil. Já as irmãs falam pouco o português ainda, mas afirmam que gostaram de participar da coleção. Já Shahad, quer escrever outro livro. “Quero fazer uma ficção agora”, adianta.

O projeto é resultado da parceria da AlphaGraphics, empresa de impressão digital, com o Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus) e a Estante Mágica, que atua com projetos editoriais pedagógicos voltados a crianças. “Virou mais do que um projeto, virou um sonho”, conta um dos idealizadores da coleção de livros, Rodrigo Abreu, conselheiro do Adus e CEO da AlphaGraphics Brasil.

Ele conta que a ideia surgiu depois que ele se tornou conselheiro do instituto e quis unir os dois projetos. “Pedimos para que as crianças nos contassem os seus sonhos e o resultado foi incrível, mostrando que o que falta para elas é uma simples oportunidade”, completa Abreu.

A AlphaGraphics foi a responsável pela impressão dos livros e a seleção das crianças ficou por conta do Adus. “Desde 2010, temos como missão no Adus atuar em parceria com refugiados e pessoas em situação análoga ao refúgio para sua reintegração à sociedade. Buscamos a valorização e inserção socioeconômica, cultural para que se reconheçam e exerçam a cidadania novamente”, explica Marcelo Haydu, diretor executivo da instituição.

Dois educadores da Estante Mágica prepararam o ambiente, conversaram com os pequenos autores, ouvindo as histórias e trajetórias de cada um. Imersos num mundo da imaginação e criatividade, cada uma das crianças se permitiu pensar nos seus maiores sonhos e então colocaram no papel todas as suas fantasias e expectativas.

Segundo Abreu, nesta primeira etapa os livros não serão vendidos. “A primeira edição foi para as famílias das crianças, para o Adus, e a imprensa, e agora vamos entregar para escolas e bibliotecas”. Futuramente, as vendas serão revertidas às famílias das crianças e a projetos que apoiam refugiados no Brasil. Para o idealizador, o projeto ainda não terminou. “Vamos dar oportunidade para novas crianças e as que participaram poderão fazer novas edições”.

Os sonhos das jovens autoras vão longe – de princesas a astronautas. No fértil imaginário infantil, bosques, arco-íris, helicópteros, Chapeuzinho Vermelho e a paz são alguns dos personagens e referências que dão vida às histórias e ilustrações de seus primeiros livros, agora eternizados. Acima de tudo, os pequenos sobreviventes compartilham suas histórias de resiliência e esperança.

“Meu nome é Bader Munir Bader. Tenho 5 anos. Gosto do sol. Dos pássaros. E das cores bonitas”, escreve Bader, 5 anos, nascido na Arábia Saudita. Na história, ele conta que adora futebol, pular e sua cor preferida é verde-claro.”As pessoas não têm coração para fazer o bem para outras pessoas”, conta a síria Hebra, fã de história, geografia, artes e educação física.

Crianças refugiadas

Segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), mais de 9 mil refugiados de 82 nacionalidades vivem no Brasil, principalmente vindos da Síria, Angola, Colômbia, República Democrática do Congo e Palestina. Do total acumulado de refugiados entre 2010 e 2015 (4.456), 599 eram crianças entre 0 e 12 anos, compondo 13,2% da população refugiada no país.

Para a legislação brasileira, a criança refugiada é aquela que foi obrigada a deixar seu país devido a um temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social, opiniões políticas de seus familiares, conflitos armados, violência e violação generalizada de direitos humanos.

No mundo todo, 91% das crianças estão matriculadas na escola primária, enquanto que entre as crianças refugiadas esse índice é de apenas 61%, segundo dados do Escritório das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). (Texto: Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil))

Tags: AcnurAngolaColômbiaSíriaUnesco
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